jusbrasil.com.br
5 de Março de 2021
2º Grau
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF-1 - APELAÇÃO CRIMINAL (ACR) : APR 0003278-44.2005.4.01.3500

Detalhes da Jurisprudência
Processo
APR 0003278-44.2005.4.01.3500
Órgão Julgador
TERCEIRA TURMA
Publicação
22/06/2012
Julgamento
11 de Junho de 2012
Relator
DESEMBARGADORA FEDERAL ASSUSETE MAGALHÃES
Documentos anexos
Relatório e VotoTRF-1_APR_00032784420054013500_92ea7.doc
Relatório e VotoTRF-1_APR_00032784420054013500_106fa.doc
EmentaTRF-1_APR_00032784420054013500_530d1.doc
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Ementa

PENAL E PROCESSUAL PENAL - APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA - ART. 168-ADO CÓDIGO PENAL- ART. 95, d, DA LEI 8.212/91 - LEI 9.983, DE 14/07/2000 - ABOLITIO CRIMINIS - INOCORRÊNCIA - CRIME OMISSIVO FORMAL - OMISSÃO DE RECOLHIMENTO, À PREVIDÊNCIA SOCIAL, DOS VALORES DESCONTADOS DA REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS E DOS SÓCIOS-GERENTES - DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE DOLO ESPECÍFICO (ANIMUS REM SIBI HABENDI) - MATERIALIDADE E AUTORIA DELITIVAS COMPROVADAS - DIFICULDADES FINANCEIRAS EXTREMAS NÃO COMPROVADAS - TESE DE INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA NÃO ACOLHIDA - EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE DOS RÉUS, RELATIVAMENTE AO DÉBITO FISCAL QUITADO - APELAÇÃO IMPROVIDA.

I - Não há abolitio criminis, por ter o art. da Lei 9.983, de 14/07/2000, revogado o art. 95 da Lei 8.212/91, pois o tipo penal, descrito anteriormente, passou a ser previsto, de maneira idêntica, no art. 168-A do Código Penal, acrescentado pela referida Lei 9.983/2000. Precedentes jurisprudenciais.
II - Na esteira do entendimento firmado pelo colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do AgRg no INQ 2537/GO (Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, unânime, em 10/03/2008, DJe de 13/06/2008), diversos julgados das Turmas que compõem a 2ª Seção do TRF/1ª Região (inter plures: RSE 2006.34.00.023860-1/DF, Rel. Des. Federal Tourinho Neto, 3ª Turma, unânime, e-DJF1 de 07/11/2008, p. 62; ACR 2001.36.00.006738-6/MT, Rel. Juíza Federal Convocada Rosimayre Gonçalves de Carvalho, 4ª Turma, unânime, e-DJF1 de 03/11/2008, p.77) passaram a considerar o delito do art. 168-A do Código Penal como delito omissivo material, e não simplesmente formal, exigindo-se, portanto, para a sua configuração, a constituição definitiva do correspondente crédito tributário.
III - Conquanto a matéria tenha sido apreciada e julgada, à época (em 2008), pelo Plenário do colendo STF, o fundamento efetivamente acolhido, por todos os Ministros que participaram daquele julgamento, para declararem a necessidade da prévia constituição definitiva do crédito tributário como condição para a persecução penal, naquele caso específico - em que o crédito encontrava-se com a exigibilidade suspensa -, não autoriza a implementação do mesmo entendimento a todos os casos de apropriação indébita previdenciária ou a conclusão de que o delito do art. 168-A do Código Penal exige dolo específico - animus rem sibi habendi -, conforme esclarece o voto condutor da eminente Ministra Cármen Lúcia, no julgamento do HC 96.092-8/SP, razão pela qual o julgado, antes mencionado como leading case de inúmeras outras decisões judiciais proferidas nas instâncias inferiores, revelou-se, em verdade, precedente isolado, na Corte Suprema, não sendo, inclusive, o posicionamento atualmente adotado pela 1ª e 2ª Turmas do STF, que mantêm, igualmente, o entendimento de ser o delito do art. 168-A do Código Penal crime formal, que não exige a constituição definitiva do crédito tributário e o dolo específico (animus rem sibi habendi) para a sua configuração, sendo a AP 516 (Rel. Min. Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 27/09/2010, DJe de 03/12/2010) o novo precedente do Plenário da Suprema Corte sobre a matéria.
IV - Materialidade e autoria delitivas comprovadas.
V - Para que as dificuldades financeiras sejam reconhecidas como de extrema gravidade, não bastam meras alegações. É necessária a efetiva comprovação de que a atividade empresarial dos réus passava por profundos problemas financeiros - incontornáveis até mesmo com o sacrifício do seu patrimônio particular -, capazes de impedir o repasse das contribuições à Previdência Social. A simples alegação dos acusados ou impressões pessoais de testemunhas acerca da existência de dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa, à época dos fatos, não são suficientes para, isoladamente, demonstrar a existência de crise extrema - incontornável até mesmo com o sacrifício do patrimônio pessoal dos réus -, capaz de configurar a excludente de culpabilidade alegada, sendo inerente à própria atividade empresarial o risco de enfrentamento de dificuldades financeiras eventuais, portanto, contornáveis, sem a necessidade de recorrer-se à prática delituosa descrita na denúncia.
VI - Ante a prova do integral pagamento do valor devido ao Fisco, relativamente ao LDC 35.677.891-6 - concernente ao período de outubro de 2003 a janeiro de 2004 -, impõe-se a extinção de punibilidade dos réus, nos termos do art. , § 2º, da Lei 10.834/2003, quanto ao aludido débito, permanecendo íntegra a persecução penal, quanto ao débito objeto do LDC 35.677.887-8, relativo ao período de junho de 1999 a janeiro de 2004.
VII - Extinção da punibilidade dos réus, quanto ao débito objeto do LDC 35.677.891-6.
VIII - Apelação improvida.

Acórdão

A Turma, à unanimidade, declarou extinta a punibilidade dos réus, relativamente ao débito descrito no LCD 35.677.891-6, e negou provimento à apelação.
Disponível em: https://trf-1.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/910583096/apelacao-criminal-acr-apr-32784420054013500